Conheça o premiado autor de SIDERAL e Na Jin!
Conheça o premiado autor de SIDERAL e Na Jin!

Publicado em 03/11/2019 às 12h25 (última modificação em 03/11/2019 às 13h21)

Olá! Bem-vindo e bem-vinda à nova seção do nosso blog: entrevistas com autores e autoras de quadrinhos!

Para estrear nossa seção de entrevistas conversamos com o Ednaldo Alves, o premiado autor de SIDERAL, As Aventuras de NaJin e Power Disc, três séries publicadas aqui na plataforma Fliptru!

Ednaldo foi premiado pelo Brazil Manga Awards 3 (BMA 3), prêmio da editora JBC.

Nós perguntamos pra ele sobre como foi a participação neste concurso e a história por trás disso é impressionante, vale a pena conferir!

Sem mais enrolação, segue a conversa com o grande Ednaldo Alves!

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1. Como surgiu a vontade de contar histórias através dos quadrinhos?
Eu leio histórias em quadrinhos desde que aprendi a ler, aliás, os quadrinhos foram fundamentais na minha formação: tanto acadêmica como pessoal. Sempre gostei de desenhar e ainda criança já fazia minhas próprias histórias.

Na escola fazia histórias por encomenda e teve até uma sobre ninja que fiz que foi um sucesso na escola. Fui crescendo e aprendi que dava pra viver disso. Então, passei toda a minha adolescência alimentando esse sonho em que poderia viver fazendo histórias em quadrinhos.

2. Você publica suas obras de forma independente na internet faz quanto tempo? E de onde veio essa vontade de investir em webcomics?
Comecei nesse ano (2019). Por motivos de força maior, me afastei da produção de minhas histórias e quando consegui pensar nisso de forma concreta outra vez eu resolvi fazer como fazia antes, produzia cópias e vendia entre amigos, em bancas, por aí...

Mas as coisas mudaram e hoje isso ficou um tanto inviável para o tempo que tenho, pois gastaria um tempo de vendas que é fundamental para a produção.

Pesquisando pela net como divulgar meu trabalho, vi vários vídeos e sites que falavam sobre isso. De como a internet pode ir além daquela banca lá daquela cidade, passar a fronteira do país e chegar bem longe, mesmo ainda em casa.

3. Como foi a experiência de participar e ser premiado no concurso da JBC, o Brazil Manga Awards (BMA 3)?
Foi algo incrível e algo que estava precisando para me nortear. Sabe quando você fala algo que está certo, mas as pessoas ao seu redor dizem que “você está errado”, “não é bem assim” e por aí vai? Eu sempre acreditei no que podia fazer.

O BMA foi extremamente pontual para tomar a decisão de continuar a produzir quadrinhos e levar essa parte da minha vida a sério. Ganhar o BMA 3 foi como se a maior editora de mangás do Brasil dissesse pra mim: “você tem sim jeito pra isso”.

Ser avaliado por pessoas do meio e ter ficado entre os melhores me mostrou que estou no caminho certo e que devo entrar nisso com vontade e dedicação, que cedo ou tarde vai dar certo.

Um dia a própria história do processo do BMA vai virar uma história em quadrinho.

Mas gostaria de deixar registrado aqui para que outras pessoas se inspirem e nunca desistam dos seus sonhos, apesar de todos serem contra e dizer que não vai dar certo.

Eu escrevi uma história chamada SINA para participar do primeiro BMA que foi em 2014. A história ficou incrível. Toda bem calculada, ritmo, narrativa, texto, boa imersão, os elementos primordiais do mangá nos seus devidos lugares... mas o desenho.

Sempre fui exigente com meu desenho, claro! Eu só mirava grandes desenhistas de quadrinhos: Jim Lee, Takehiko Inoue, Eichiiro Oda, Goseki Kojima, Ryoichi Ikegami e por aí vai.

Comecei e recomecei SINA várias e várias vezes, mas não gostava do resultado. Sentia que a arte não estava à altura da história que havia concebido.

Então fui para o plano B: buscar parcerias. Vixe! Oh negócio difícil! Conheci um cara que desenha incrivelmente e apresentei o roteiro, ele até se empolgou, mas não saía.

O tempo foi passando e passou o BMA 1, passou o BMA 2 e aí resolvi ir em algumas escolas de desenho oferecer parceria, até pagaria pelo serviço, alguns se interessaram, mas o projeto não ia pra frente. Até que pesquisando sobre grandes hqs que não tinham o desenho tão bom, mas a história segurava (como One Punch Man e até o próprio One Piece).

Então resolvi mandar com minha arte mesmo. E acabei ficando em 4° lugar, aguardando ser publicado tanto digital quanto impresso. Falei demais. Mas vou explicar bem direitinho (na hq que vou fazer) tudo o que aconteceu em uma hq: o processo, a apreensão, passar em cada etapa e enfim o pódio.

4. Quando publicou Power Disc (de 2006) aqui na plataforma você comentou sobre ter vivido vendendo fanzines impressos por um tempo. Poderia nos contar como foi essa experiência e o que você aprendeu com ela?
Em um momento da minha vida me vi desempregado. Morava sozinho, longe dos meus pais e irmãos. Sempre fui meio orgulhoso. Nunca gostei de dar trabalho à ninguém e apesar de ter tido muita ajuda nesse período eu queria fazer o máximo possível para não ser pesado pra ninguém.

Tava difícil emprego naquela época, então pensei viver do que melhor fazia: histórias em quadrinhos. Eu fiz dois fanzines: Cavaleiros Z e Power Disc. E fui vendendo para amigos, deixava alguns na banca e numa lanchonete na universidade e vendia em algumas escolas ou pela rua mesmo.

Foi durante um ano e sete meses. Eu fazia o quadrinho no tamanho da folha e tirava cópias (xerox). Consegui com alguns comerciantes um apoio, eles me davam uma quantia por mês para que colocasse um comercial deles.

Não ganhava muito, mas o suficiente para pagar as contas e não passar fome. Mas eu estava noivo na época. Sabia que não dava pra sustentar uma família assim. Aí tive que procurar emprego como um desesperado até que consegui, mas isso me afastou dos quadrinhos por um bom tempo.

5. Agora queremos saber como surgiu a ideia da série em quadrinhos SIDERAL?
SIDERAL surgiu junto com SINA lá em 2014. Como não gostava do meu traço e não tinha certeza se conseguiria parceria, precisava treinar.

SIDERAL surge com essa finalidade, me afiar para SINA.

Seria meu laboratório, ou seja, tudo que estudava nos quadrinhos tentava aplicar em SIDERAL, aqui poderia experimentar, errar e por aí vai. A ideia seria voltar a publicar fanzines outra vez também.

6. Você tem algum planejamento de quantos capítulos SIDERAL deve ter? Ou vai seguir a história até onde ela levar você?
Eu sei o destino final que quero chegar em SIDERAL. Mas sair do ponto A e chegar ao ponto B numa história em quadrinhos sem reviravoltas, ação e aventura não é uma boa história em quadrinhos. Tenho feito SIDERAL sem pressa, só no sabor das ondas. Espero conseguir materializa-la até onde concebi.

7. E de onde veio a ideia para a série As Aventuras de Na Jin, O Pequeno Monge? Ela tem um formato diferente, tendo uma imagem apenas por capítulo. Como é contar uma história assim?
As Aventuras de Na Jin é uma ideia que é da época de Power Disc, em 2006.

Sempre admirei Eiichiro Oda, criador de One Piece, ele usa as capas dos capítulos para contar outras histórias que complementam o enredo de One Piece. Achei isso fantástico e o quanto mostra a criatividade dele em contar história com apenas um quadro por vez.

Quando passou a ser mais confortável voltar a fazer quadrinhos, eu voltei a estudar teoria também. No livro A Arte de Quadrinizar de Ivan Brunetti, tem um exercício que é criar histórias em um quadro só. Isso me lembrou desse projeto que tinha, então refiz as primeiras páginas e tomei coragem de postar tentando fazer um por semana. Uma forma de me “obrigar” a exercitar tanto o desenho quanto a arte de contar história usando a criatividade em situação não tão confortável.

Uma curiosidade: meu nome é Ednaldo e desde criança algumas pessoas me chamam de Naldinho (Na Jin).

Contar história assim é desafiante pois te obriga, tanto pela periodicidade quanto pelas limitações do formato, a desenvolver ritmo, narrativa e criatividade. Mas estou adorando voltar com esse projeto. ^_^x

8. Qual é seu maior sonho como autor de quadrinhos?
Na verdade já me sinto realizado. Ser publicado por uma editora grande do meio é o maior objetivo dos artistas da minha geração. Já (sobre)vivi de produzir hqs. O que vier agora é lucro.

Mas não posso negar que seria show produzir para Marvel ou DC ou até mesmo num ambiente mais difícil como a Shonen Jump. Ou posso continuar tentando criar minha própria Casa das Ideias (editora).

9. Hoje você publica três quadrinhos diferentes na Fliptru! Como conheceu a plataforma e o que motivou você a publicar por aqui?
Como falei acima, as coisas mudaram entre a época que vendia fanzines e hoje.

Pesquisando sobre como divulgar o trabalho topei com um vídeo do Marcus Beck em que ele dizia que não era pra gente ficar preocupado em um retorno financeiro imediato, mas importante seria criar uma fanbase e divulgar ao máximo seu trabalho e suas ideias.

Então pensei em publicar pelo Facebook. Postei o primeiro capítulo de SIDERAL por lá aí o Marcus Beck viu e me falou da Fliptru e de como seria interessante publicar por aqui.

A plataforma é muito rápida e intuitiva. Fácil para publicar. E essa interação com outros autores e leitores ajuda no crescimento do artista e das obras.

10. Deixe uma mensagem para os seus leitores e leitoras aqui na Fliptru! =)
Gostaria de agradecer imensamente à todos que tem separado seu valioso tempo pra ler, comentar e curtir nosso trabalho.

Espero de coração que estejam gostando das histórias. Que elas não apenas entretenham vocês, mas que de alguma forma os inspire.

Espero contar com vocês nessa jornada, garanto que o bilhete não será em vão. Se eu puder fazê-los pensar a vida, se inspirar, dar motivação para serem o melhor que possam ser, então, terei cumprido meu objetivo como artista.

Aos meus leitores, meu muito obrigado. ^_^x

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Show de bola essa entrevista com o Ednaldo, né? Então se você gostou dessa entrevista e da nossa nova seção, então deixe um comentário abaixo!

Nos vemos na próxima publicação!


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