A sina de SINA - Não espere por quem não vem
A sina de SINA - Não espere por quem não vem

Publicado em 01/10/2020 às 09h30

Saudações, pessoal!

Essa é a penúltima parte dessa minha jornada no 3º Concurso de mangá da Editora JBC

Como havia falado anteriormente, não gostava do meu desenho, não sentia que estava a altura de SINA. Então tentei algo que mudou a minha vida completamente: tentar conseguir alguém que desenhasse minhas histórias. Na minha cidade natal e nos seus arredores há muitos desenhistas talentosos. Tentei uma parceira com vários, mas não decolava.

Tem muita gente que fica esperando as coisas caírem do céu, pensando demais quando na verdade somente ação é que vai resolver.

Certa vez recebi a visita de um jovem que queria fazer quadrinhos. Trouxe uma pasta cheia de desenhos. Era cada um mais bonito que o outro. Eu lhe pedi que fizesse uma página de quadrinho, mas ele não conseguiu. Ele aprendeu comigo que ilustração é diferente de fazer histórias em quadrinhos.

E assim fiquei esperando alguém que nunca viria para desenhar SINA até que apareceu um artista excepcional, o cara desenha demais. Já até fazia uma graninha com seus desenhos e ele procurava fazer algo mais autoral.

A gente conversou sobre uma possível parceria num evento de anime. Marcamos um encontro e lá fui eu todo feliz e esperançoso tentar dar certo.

Levei várias histórias que tinha e no meio estava SINA. Não deu outra, quando ele pôs os olhos em SINA ele disse: “é isso aqui que quero desenhar”.

Expliquei por que escrevi SINA e ele falou que a gente poderia ir produzindo para participar no próximo BMA. Fez um sketch incrível do Cabra das Pexeras em minutos. O cara desenha demais.

Me animei e montamos um cronograma que até estava indo bem até a segunda semana.

Depois o cara não mandava mais notícia, eu tentava empolgar, mas parecia que o cara estava em outra. Para não ser chato eu dei espaço pra ele, mas confesso que sou um tanto imediatista, aí perguntei por quanto ele cobraria para desenhar SINA. Ele se sentiu ofendido, disse que era projeto dele também e tals, mas nada de o projeto avançar.

Ele me pedia características de personagem, cenário e um monte de coisas que eu entregava rapidinho. Mas isso tudo parecia mais em ganhar tempo ou de alguma forma eu ter culpa para o projeto não avançar. Até que desisti de insistir. Sabe, tem coisas que você não deve insistir. Não dá pra forçar alguém seguir no caminho com você. 

Fui tentando sozinho outra vez até que me mudei para o Rio de Janeiro. E aí pensei: “aqui eu posso encontrar alguém para desenhar SINA”.

Deixei recados em vários grupos de desenhistas no Facebook, pesquisei em fóruns e sites de desenhistas. Troquei e-mails com alguns, mas nada avançava. Seja por repostas que não vinham ou artistas que cobravam um valor acima do que eu poderia pagar ou além do que o trabalho valia.

Fui a duas escolas de desenho até conceituadas no Rio de Janeiro, em uma delas uma pessoa falou que o roteiro não era bom, que não dava para um cara enfrentar cangaceiros armados com rifles e espingardas com apenas duas facas. Eu tentei explicar que era para um concurso, que era mangá, que isso combinava com a narrativa de mangá, mas não deu em nada, o cara pediu pra mudar isso, acho que na verdade não queria era fazer o trabalho. 

Mas sabe aquela sensação? Aquele que vem quando tudo parece contrário? Eu sentia que tinha algo bom nas mãos. A vida me dera uma carta boa e ela era SINA. Oh, sina danada!

E pesquisando na internet sobre obras que não tinham um bom desenho, mas que fizeram sucesso pela história, como ONE Punch Man, resolvi tentar do meu jeito.

Então comecei a pesquisar que estilo poderia ser relativamente simples, mas ao mesmo tempo eficaz para contar a história.

Sempre amei One Piece, adoro como ele aborda conceitos complexos ao mesmo tempo em que nos dá uma leveza incrível.

Comecei a perceber que os traços eram simples, não havia tantas sombras, a perspectiva era simplificada, a anatomia e todos os outros elementos existiam mais em função de contar uma história do que obedecer às regras técnicas de desenho.

Então, enquanto estudava a arte de Eiichiro Oda eu ia desenhando as páginas de SINA. Comecei a ver finalmente uma luz no fim do túnel e comecei a construir aos poucos, dessa vez sozinho, meu caminho para vitória.

No próximo e último capítulo contarei a reta final dessa jornada. De como a sina de SINA era me trazer de volta de vez para a incrível forma de contar histórias: as histórias em quadrinhos.

Obrigado por nos acompanhar até aqui. ^_^x

Até a próxima, pessoal!

Ednaldo Alves.

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