A sina de SINA - O retorno de Jedi
A sina de SINA - O retorno de Jedi

Publicado em 04/11/2020 às 09h34

Saudações, pessoal!

Essa é a última parte dessa minha jornada no 3º Concurso de mangá da Editora JBC

Eu já estava desencanado com querer a voltar a fazer histórias em quadrinhos, ainda mais depois de tudo que havia passado até o momento tentando materializar SINA.

No final de 2016 sai a HENSHIN MANGÁ volume 2 com os vencedores do segundo BMA da JBC. Entre os campeões estava uma história que utilizava a temática de cangaceiro.

Confesso que fiquei triste demais, pois havia perdido o pioneirismo com a temática. Mais uma vez pensei que poderia estar ali também com SINA. Não era pra ser.

Passou-me um montão de coisas pela cabeça, mas o que era constante é que não deveria relegar as minhas histórias a um espectador só. Não deveria permitir que minhas histórias ficassem aprisionadas na minha mente. 

Acredito que o primeiro passo para qualquer empreitada seja saber onde somos mais fracos, onde podemos melhorar. Reconhecer nossas fraquezas é o primeiro passo para nos tornarmos pessoas melhores.

Então pensei que já que não desenho bem, deveria investir na escrita e trazer minhas histórias para fora da mente.

Comecei a esboçar as primeiras ideias e estudar, haja vista que a literatura é outra forma de contar histórias, com suas particularidades e estruturas que se diferenciam bastante dos quadrinhos.

A descrição é algo importante, seja de personagens ou cenários, coisas essas que podemos aproveitar de um simples quadro nos quadrinhos para situar o leitor de uma forma imersiva incrível, quando bem feita, quase como automático. Não que a literatura não tenha esse poder, mas exige bem mais do autor do que do leitor. E uma descrição mal feita pode tirar o leitor mais do que imergi-lo na história.

Então comprei alguns livros teóricos sobre escrita de romances e amei principalmente o livro Sobre a Escrita de Stephen King o qual recomendo independente se você quer escrever livros ou produzir quadrinhos, pois o mesmo é uma aula para quem quer contar histórias.

Escrevi alguns capítulos de algumas ideias e até publiquei alguns capítulos no Wattpad, um site tipo a FLIPTRU só que de livros, apenas escrita. E aos poucos fui me empolgando e deixando a ideia de voltar a produzir histórias em quadrinhos de lado.

Até que em 2017 a Editora JBC anuncia o 3° BMA.

Pessoal! Não posso negar que o coração bateu forte, os olhos brilharam e as sinapses cogitavam na possibilidade de tentar mais uma vez, apenas essa vez. Seria tipo uma despedida. Entregaria a história, daria adeus aos quadrinhos e mergulharia de vez na escrita de livros. E foi o que fiz.

Tinha que ser SINA.

Já estava pronta, nos moldes do regulamento do concurso, mas ainda tinha o problema do desenho.

Lembro-me de ter feito várias pesquisas sobre como estava a produção dos quadrinhos, foi numa dessas pesquisas que topei no canal do Marcus Beck.

E havia percebido algo tanto no canal do Marcus como em outros canais de desenho que o desenho não precisava ser perfeito, precisava ser apenas funcional.

E foi como uma membrana tivesse caído dos olhos e deixei de enxergar apenas os desenhos espetaculares que buscava na minha obra.

Percebi o sucesso que era One Punch Man que veio de uma webcomics com desenhos que de fato afastavam os leitores num primeiro momento, mas a história segurava a experiência que por vezes o fato de o desenho não ser tão bom acabava passando.

O próprio One Piece que tem uma história incrível tem desenhos que não respeitam várias regras clássicas de desenho, mas funcionam de forma perfeita com a narrativa que acaba sendo legal do jeito que é e de que seria muito estranho se fosse feito diferente daquilo que é.

Shingeki no Kyojin segue a mesma ideia, Hajime Isayama parece ter sido por muito tempo assistente de algum outro mangaká, porque desenha muito bem cenários, mas os personagens, principalmente no começo da obra, eram esquisitos e muito parecidos entre si, era uma confusão identificar os personagens. E apesar das críticas aos seus desenhos, Shingeki aumentava nas vendas de volumes e fazia um sucesso estrondoso. Por causa do desenho? Não, por causa da história que prende o leitor de uma forma incrível que nos faz sentirmos como se fossemos mais um dos recrutas do 104º esquadrão, descobrindo as verdades daquele mundo junto com os personagens.

Tomado por essa ideia, resolvi eu mesmo desenhar SINA e apostar uma última vez na forma que mais gosto de contar histórias, as histórias em quadrinhos.

Nas pesquisas que fiz tentei encontrar um estilo que mais se encaixava com SINA e com minha incapacidade de desenhar. Escolhi o estilo do One Piece por ser o mais “simples” dos shonens atuais.

Comecei a desenhar e por vezes não ficava satisfeito, mas como agora tinha um prazo (isso é um fator importante, hein!) eu avançava do jeito que estava.

Consegui cumprir o cronograma que havia proposto e faltando um dia para encerrar o período para as inscrições eu enviei

Essa última etapa deu um trabalho porque envolvia a questão de escanear página e dar um tratamento nas imagens, coisas que não sabia muito bem, mas no fim acabou dando certo e enviei. 

Aos poucos a Editora JBC atualizava o status do concurso no seu canal do YouTube, foram pouco mais de 70 obras enviadas. Dessas, 25 foram selecionadas. SINA estava entre elas.

Já estava feliz por estar entre os 25. Dentre esses saíram 15 que seriam avaliados pelos jurados convidados para decidirem os campeões.

E SINA aparece na lista dos quinze e aí o coração bateu forte e sentiu que poderia acontecer que havia uma chance de estar entre os vencedores, mesmo com o desenho não tão bom.

O anúncio foi feito no evento Anime Friends, fiquei sabendo por posts nas redes sociais e foi... WE ARE THE CHAMPIONS, MY FRIEND! Fiquei em 4º lugar, conquistando meu lugar numa possível edição impressa.

Fazia tempo que não sentia aquilo, meus amigos. Sabe aquele grito preso na garganta, louco pra sair? Fiquei feliz demais. É uma sensação ótima ver tudo o que você fez chegar ao objetivo que você traçou desde o começo. Saber que cada etapa cumprida, cada passo dado, cada escolha feita teve êxito, um bom fim. Foi então que resolvi voltar para histórias em quadrinhos e tentar mais uma vez. 

Tirei da gaveta SIDERAL que foi meu laboratório que ajudou no percurso de SINA. Tentei fazer quadrinhos como fazia nos tempos dos fanzines Power Disc e Cavaleiros Z. Mas o mundo havia mudado de lá pra cá. Eu até tinha feito alguns impressos de forma caseira de Sideral pra vender. Foi então que percebi que deveria postar minhas histórias pela internet, inclusive por um vídeo de Marcus Beck sobre isso. Comecei a postar no FaceBook e foi então que o Marcus me apresentou a FLIPTRU e vocês estão vendo o que está acontecendo.

SIDERAL chamou atenção do Estúdio Armon e hoje SIDERAL é também publicado por lá aguardando uma versão impressa.

NA JIN, outra hq que tirei da gaveta e publicado aqui na FLIPTRU, também chamou atenção e em breve terá sua versão impressa pela tutela da Editora Virafolha.

Tudo isso acontecendo porque insisti no potencial de SINA.

SINA foi publicada numa versão digital da HENSHIN MANGÁ volume 3. Ainda aguardando uma versão impressa que tem sido adiada por vários motivos.

Mesmo assim acredito que SINA finalmente cumpriu sua sina. Não apenas de vencer o concurso e sair numa versão impressa por uma editora, mas por ter dado um gás numa alma que praticamente havia dado as contas. Pra todos os efeitos, SINA cumpriu sua sina.

Gostaria de agradecer a todos que tiveram a paciência de ler essa pequena saga. Agradecer a todos que tem acreditado no meu trabalho, por vezes mais do que eu mesmo acredito. Agradecer pelo apoio prestado às minhas obras aqui na FLIPTRU e onde elas estão indo. Agradecer ao Marcus por mais esta oportunidade de lembrar a faísca que me incendiou novamente. Agradecer pela FLIPTRU e sua experiência incrível. Meu muito obrigado a todos. Desejo que possam encontrar e cumprir a sina de vocês como eu pude encontrar a minha. 

Obrigado por nos acompanhar até aqui. ^_^x

Até a próxima, pessoal!

Ednaldo Alves.

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